
Contabilidade no Lucro Real: o que muda na prática e como estar preparado
Contabilidade no Lucro Real: o que muda na prática e como estar preparado
TL;DR (resumo rápido):
- No Lucro Real, a contabilidade vira base direta do imposto.
- Fechamento mensal, conciliações e documentação são obrigatórios.
- Sem preparo, a empresa paga imposto a mais, perde créditos e aumenta risco fiscal.
- A preparação exige processos, pessoas e sistemas alinhados.
O que é diferente no Lucro Real (sem juridiquês)
No Lucro Real, o imposto incide sobre o lucro efetivo da empresa, com ajustes fiscais previstos em lei. Isso significa que a contabilidade define a base tributária. Um erro de classificação, um documento faltando ou uma conciliação mal feita podem virar imposto a mais — ou risco de autuação.
Em resumo: no Lucro Real, contabilidade é gestão de risco e caixa.
O que muda na rotina contábil
1) Fechamento mensal sem atraso
O fechamento deixa de ser “eventual”. Ele precisa acontecer todo mês, com resultado confiável, para sustentar apuração, provisões e decisões.
2) Conciliações viram regra, não exceção
Conciliação bancária, fiscal, de estoque e de ativo imobilizado não são detalhe. No Lucro Real, inconsistência pequena vira problema grande.
3) Centro de custos e DRE consistente
Sem centro de custos e DRE confiável, o resultado real vira chute. E sem resultado real, o imposto vira risco.
O que muda para o dono (riscos e custos reais)
Risco fiscal fica mais sensível
No Lucro Real, as obrigações cruzam dados em várias frentes. Qualquer incoerência aparece rápido e pode gerar exigências, glosas ou multas.
Custo oculto de “contabilidade fraca”
- Perda de créditos por documentação incompleta
- Imposto pago sobre lucro inflado
- Retrabalho e retificações
- Tempo do time consumido com apagão
Impacto direto no caixa
Contabilidade inconsistente gera imprevisibilidade de imposto. O dono perde visibilidade de margem e compromete planejamento.
O que é obrigatório no Lucro Real (na prática)
No Lucro Real, algumas obrigações deixam de ser burocracia e viram ponto de fiscalização:
- ECD (Escrituração Contábil Digital)
- ECF (Escrituração Contábil Fiscal)
- EFD-Contribuições
- DCTF/DCTFWeb
- LALUR/LACS (ajustes do lucro contábil até o lucro real)
Se a base contábil não estiver redonda, essas declarações expõem inconsistências rapidamente.
Sinais de alerta de que sua operação está frágil
- Fechamento do mês demora mais de 30 dias
- Conciliação bancária não fecha com o financeiro
- Estoque não bate com fiscal/contábil
- DRE muda após “ajustes finais”
- Créditos de PIS/Cofins são calculados “no feeling”
- Time não sabe quem é o responsável final pelo fechamento
Checklist rápido: sua empresa está pronta para o Lucro Real?
Marque “sim” para pelo menos 7 itens:
- Fechamento contábil mensal validado
- Conciliações bancária e fiscal atualizadas
- Plano de contas alinhado ao ERP
- Centro de custos ativo e DRE confiável
- Documentação fiscal organizada e auditável
- Rotina clara de classificação de despesas
- Controle de créditos de PIS/Cofins
- Integração entre fiscal, financeiro e contábil
- Calendário fiscal com responsáveis definidos
- Acompanhamento de ajustes no LALUR/LACS
Se a maioria for “não”, o gargalo não é o regime — é a estrutura.
Como preparar sua empresa para o Lucro Real (passo a passo)
1) Diagnóstico do cenário atual
Mapeie margem, custos, estrutura de despesas e potencial de créditos. Sem diagnóstico, a decisão é chute.
2) Padronize a documentação
Defina um padrão único de notas, contratos e comprovantes. Sem documentação consistente, a dedutibilidade cai.
3) Integre sistemas e dados
Fiscal, financeiro e contábil precisam conversar. Integração reduz retrabalho e evita divergências.
4) Defina o “dono” do fechamento
Alguém interno deve liderar o fechamento mensal, com prazos, validações e checkpoints.
5) Estruture centros de custos e DRE gerencial
DRE confiável dá previsibilidade e evita imposto calculado sobre distorções.
6) Crie ritos mensais de controle
Calendário fiscal com responsabilidades claras: conciliações, provisões, ajustes e revisão final.
7) Treine a equipe e alinhe fornecedores
O Lucro Real exige disciplina. Treine quem lança, quem aprova e quem fecha.
Tabela rápida: Lucro Real x Presumido na rotina contábil
| Ponto | Lucro Presumido | Lucro Real |
|---|---|---|
| Base de apuração | Presunção legal | Lucro efetivo + ajustes |
| Fechamento mensal | Recomendável | Necessário |
| Conciliação e rastreio | Moderado | Alto |
| Obrigações acessórias | Menor | Maior |
| Risco por inconsistência | Médio | Alto |
| Impacto no caixa | Menor | Alto |
FAQ — dúvidas comuns (SEO)
1) Preciso de fechamento mensal mesmo se apuro trimestral? Sim. O controle mensal é necessário para consistência, planejamento e correções antes do trimestre.
2) LALUR/LACS é obrigatório? Sim. É o livro base para ajustes do lucro contábil até o lucro real tributável.
3) Posso operar no Lucro Real com planilhas? Até pode, mas o risco é alto. Sem integração e rastreabilidade, os erros se multiplicam.
4) Toda despesa reduz imposto? Não. Apenas despesas dedutíveis e documentadas. A classificação correta é essencial.
5) Por que o risco fiscal aumenta? Porque as obrigações cruzam dados em várias frentes. Qualquer incoerência aparece rápido.
6) Quanto custa errar no Lucro Real? Pode significar imposto pago a mais, glosa de créditos e retrabalho contínuo — impacto direto no caixa.
7) Qual o primeiro passo para se preparar? Diagnóstico do cenário atual, com margem, custos e potencial de créditos.
Conclusão
No Lucro Real, a contabilidade deixa de ser suporte e vira estrutura crítica. O ganho está na precisão, mas o risco cresce quando a rotina não é profissional. Para estar preparado, a empresa precisa de processos, integração e disciplina mensal.
Próximos Passos
Se você sentir que sua operação atual ainda carece dessa maturidade ou quer garantir que está aproveitando todas as oportunidades de economia, nós podemos ajudar:
- Avaliação de Cenário: Fale com um especialista da OSP para um diagnóstico dos seus ajustes prioritários.
- Simule seu Lucro: Use nossa Calculadora de Lucro Real e veja, na prática, o impacto da inteligência tributária nos seus números.
Compartilhe este artigo
Ajude outros empresários compartilhando este conteúdo

Guilherme Pagotto
Diretor Tributário
Contador e Advogado, especialista em Planejamento Tributário e Estratégico na OSP. Mais de 30 anos de experiência na otimização fiscal e proteção patrimonial.
Consultoria Estratégica Personalizada
Análise completa do seu negócio com soluções sob medida para seus desafios específicos.