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Contabilidade no Lucro Real: o que muda na prática e como estar preparado
Lucro Real

Contabilidade no Lucro Real: o que muda na prática e como estar preparado

Guilherme PagottoPor Guilherme Pagotto
5 min de leitura

Contabilidade no Lucro Real: o que muda na prática e como estar preparado

TL;DR (resumo rápido):

  • No Lucro Real, a contabilidade vira base direta do imposto.
  • Fechamento mensal, conciliações e documentação são obrigatórios.
  • Sem preparo, a empresa paga imposto a mais, perde créditos e aumenta risco fiscal.
  • A preparação exige processos, pessoas e sistemas alinhados.

O que é diferente no Lucro Real (sem juridiquês)

No Lucro Real, o imposto incide sobre o lucro efetivo da empresa, com ajustes fiscais previstos em lei. Isso significa que a contabilidade define a base tributária. Um erro de classificação, um documento faltando ou uma conciliação mal feita podem virar imposto a mais — ou risco de autuação.

Em resumo: no Lucro Real, contabilidade é gestão de risco e caixa.

O que muda na rotina contábil

1) Fechamento mensal sem atraso

O fechamento deixa de ser “eventual”. Ele precisa acontecer todo mês, com resultado confiável, para sustentar apuração, provisões e decisões.

2) Conciliações viram regra, não exceção

Conciliação bancária, fiscal, de estoque e de ativo imobilizado não são detalhe. No Lucro Real, inconsistência pequena vira problema grande.

3) Centro de custos e DRE consistente

Sem centro de custos e DRE confiável, o resultado real vira chute. E sem resultado real, o imposto vira risco.

O que muda para o dono (riscos e custos reais)

Risco fiscal fica mais sensível

No Lucro Real, as obrigações cruzam dados em várias frentes. Qualquer incoerência aparece rápido e pode gerar exigências, glosas ou multas.

Custo oculto de “contabilidade fraca”

  • Perda de créditos por documentação incompleta
  • Imposto pago sobre lucro inflado
  • Retrabalho e retificações
  • Tempo do time consumido com apagão

Impacto direto no caixa

Contabilidade inconsistente gera imprevisibilidade de imposto. O dono perde visibilidade de margem e compromete planejamento.

O que é obrigatório no Lucro Real (na prática)

No Lucro Real, algumas obrigações deixam de ser burocracia e viram ponto de fiscalização:

  • ECD (Escrituração Contábil Digital)
  • ECF (Escrituração Contábil Fiscal)
  • EFD-Contribuições
  • DCTF/DCTFWeb
  • LALUR/LACS (ajustes do lucro contábil até o lucro real)

Se a base contábil não estiver redonda, essas declarações expõem inconsistências rapidamente.

Sinais de alerta de que sua operação está frágil

  • Fechamento do mês demora mais de 30 dias
  • Conciliação bancária não fecha com o financeiro
  • Estoque não bate com fiscal/contábil
  • DRE muda após “ajustes finais”
  • Créditos de PIS/Cofins são calculados “no feeling”
  • Time não sabe quem é o responsável final pelo fechamento

Checklist rápido: sua empresa está pronta para o Lucro Real?

Marque “sim” para pelo menos 7 itens:

  • Fechamento contábil mensal validado
  • Conciliações bancária e fiscal atualizadas
  • Plano de contas alinhado ao ERP
  • Centro de custos ativo e DRE confiável
  • Documentação fiscal organizada e auditável
  • Rotina clara de classificação de despesas
  • Controle de créditos de PIS/Cofins
  • Integração entre fiscal, financeiro e contábil
  • Calendário fiscal com responsáveis definidos
  • Acompanhamento de ajustes no LALUR/LACS

Se a maioria for “não”, o gargalo não é o regime — é a estrutura.

Como preparar sua empresa para o Lucro Real (passo a passo)

1) Diagnóstico do cenário atual

Mapeie margem, custos, estrutura de despesas e potencial de créditos. Sem diagnóstico, a decisão é chute.

2) Padronize a documentação

Defina um padrão único de notas, contratos e comprovantes. Sem documentação consistente, a dedutibilidade cai.

3) Integre sistemas e dados

Fiscal, financeiro e contábil precisam conversar. Integração reduz retrabalho e evita divergências.

4) Defina o “dono” do fechamento

Alguém interno deve liderar o fechamento mensal, com prazos, validações e checkpoints.

5) Estruture centros de custos e DRE gerencial

DRE confiável dá previsibilidade e evita imposto calculado sobre distorções.

6) Crie ritos mensais de controle

Calendário fiscal com responsabilidades claras: conciliações, provisões, ajustes e revisão final.

7) Treine a equipe e alinhe fornecedores

O Lucro Real exige disciplina. Treine quem lança, quem aprova e quem fecha.

Tabela rápida: Lucro Real x Presumido na rotina contábil

PontoLucro PresumidoLucro Real
Base de apuraçãoPresunção legalLucro efetivo + ajustes
Fechamento mensalRecomendávelNecessário
Conciliação e rastreioModeradoAlto
Obrigações acessóriasMenorMaior
Risco por inconsistênciaMédioAlto
Impacto no caixaMenorAlto

FAQ — dúvidas comuns (SEO)

1) Preciso de fechamento mensal mesmo se apuro trimestral? Sim. O controle mensal é necessário para consistência, planejamento e correções antes do trimestre.

2) LALUR/LACS é obrigatório? Sim. É o livro base para ajustes do lucro contábil até o lucro real tributável.

3) Posso operar no Lucro Real com planilhas? Até pode, mas o risco é alto. Sem integração e rastreabilidade, os erros se multiplicam.

4) Toda despesa reduz imposto? Não. Apenas despesas dedutíveis e documentadas. A classificação correta é essencial.

5) Por que o risco fiscal aumenta? Porque as obrigações cruzam dados em várias frentes. Qualquer incoerência aparece rápido.

6) Quanto custa errar no Lucro Real? Pode significar imposto pago a mais, glosa de créditos e retrabalho contínuo — impacto direto no caixa.

7) Qual o primeiro passo para se preparar? Diagnóstico do cenário atual, com margem, custos e potencial de créditos.

Conclusão

No Lucro Real, a contabilidade deixa de ser suporte e vira estrutura crítica. O ganho está na precisão, mas o risco cresce quando a rotina não é profissional. Para estar preparado, a empresa precisa de processos, integração e disciplina mensal.

Próximos Passos

Se você sentir que sua operação atual ainda carece dessa maturidade ou quer garantir que está aproveitando todas as oportunidades de economia, nós podemos ajudar:

  1. Avaliação de Cenário: Fale com um especialista da OSP para um diagnóstico dos seus ajustes prioritários.
  2. Simule seu Lucro: Use nossa Calculadora de Lucro Real e veja, na prática, o impacto da inteligência tributária nos seus números.

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Guilherme Pagotto

Guilherme Pagotto

Diretor Tributário

Contador e Advogado, especialista em Planejamento Tributário e Estratégico na OSP. Mais de 30 anos de experiência na otimização fiscal e proteção patrimonial.

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